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Razão e Sensibilidade

Junho 25, 2009 · Deixe um comentário

Para me satisfazer, estas qualidades precisam estar juntas. Eu não poderia ser feliz com um homem cujo gosto não coincidisse com o meu em todos os pontos; ele precisará participar dos meus sentimentos; os mesmos livros e as mesmas músicas deverão encantar a nós dois.

RAZÃO E SENSIBILIDADE, Jane Austen

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Um Erro Judiciário

Junho 22, 2009 · Deixe um comentário

O seu sistema judiciário, que é o melhor do mundo, primeiro prova que um homem é culpado de assassinato e depois o condena a ser enforcado. Aí, então, põe em dúvida seu próprio julgamento, arrepende-se e manda-o viver o resto da vida no inferno de uma prisão. Sera que isso é um gesto de bondade? Uma espécie de perdão? Será que isso é justiça? Pobre humanidade! – Paul levantou-se. Seu rosto estava branco e os olhos faiscavam. – Foi isso o que aconteceu com meu pai. Ele está lá em Stoneheath, vítima de um procedimento criminoso de um sistema que confia em provas circunstanciais e em testemunhas sem idoneidade, um sistema que permite a manipulação dos fatos pela acusação, recorrendo a peritos que nada mais são do que indivíduos pagos para dizerem “sim” a favor da Coroa, e o emprego de promotores cujo único propósito é conseguir, por todos os recursos à sua disposição, enforcar o acusado sentado no banco dos réus, sem se preocuparem muito com a justiça.
Já não dando mais atenção a Birley, e empolgado por sua obsessão, Paul continuou a falar em voz baixa:
- O crime é o produto da ordem social de um país, e aqueles que elaboram essa ordem são, muitas vezes, mais culpados do que os que são considerados criminosos. A sociedade não deveria tratar os malfeitores segundo os mesmos princípios que a levaram a enforcar um garoto faminto, há cem anos, só porque ele tinha roubado um pão. No entanto, se estamos mesmo resolvidos a aplicar a lei do olho por olho, dente por dente, então deveríamos pelo menos esperar uma certa eficiência da parte da lei. Em vez disso, o que temos? Especialmente nos casos de pena capital? Métodos tão antiquados como as forcas, onde, depois da palhaçada das orações, temos então a última cena de vingança…

UM ERRO JUDICIÁRIO, Archibald Joseph Cronin, Parte 1, Cáp. XV, p. 91

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Crepúsculo

Junho 22, 2009 · Deixe um comentário

- Você tem um sono muito profundo, não perdi nada. – seus olhos cintilaram. – o falatório veio antes disso.

Eu gemi.

- O que você ouviu?

Seus olhos dourados ficaram suaves.

- Você disse que me amava.

- Você já sabia disso – lembrei a ele, afundando minha cabeça.

- Mesmo assim foi bom ouvir.

Escondi o rosto em seu ombro.

- Eu te amo – sussurrei.

- Agora você é minha vida – respondeu ele simplesmente.

CREPÚSCULO, Stephenie Meyer

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Razão e Sensibilidade

Junho 22, 2009 · Deixe um comentário

Percebi que meus próprios sentimentos foram responsáveis pelo meu sofrimento e que a minha falta de coragem diante do sofrimento quase me levou ao túmulo. Eu sabia muito bem que a minha doença fora provocada por mim mesma, por negligência com a minha saúde; negligência que, desde o início, sabia ser errada. Se eu tivesse morrido, a minha morte teria sido um ato de autodestruição. Só percebi o perigo que corria quando o perigo foi afastado. Não entendo como consegui me recuperar sentindo as emoções que tais reflexões despertaram em mim. Surpreendo-me que a força do meu desejo de viver, de ter tempo para me redimir diante do meu Deus e de todos vocês, não tenha me matado na mesma hora. (…) Deixei de lado obrigações e amizade, mal permitindo que a tristeza existisse em outro lugar que não dentro de mim, afligindo-me apenas por aquele coração que me abandonara e me fizera mal.

RAZÃO E SENSIBILIDADE, Jane Austen, Vol. 3, Cáp. X, p. 277

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O Livro do Riso e do Esquecimento

Junho 22, 2009 · Deixe um comentário

Foi então que eu compreendi a significação mágica do círculo. Quando nos afastamos da fila, ainda podemos voltar a ela. A fila é uma formação aberta. Mas o círculo torna a se fechar e nós o deixamos sem retorno. Não é por acaso que os planetas se movem em círculo e que a pedra que se desprende de um deles afasta-se inexoravelmente, levada pela força centrífuga. Semelhante ao meteorito arrancado de um planeta, eu saí do círculo e, até hoje, não parei de cair. Existem pessoa a quem é dado morrer no turbilhão e existem outras que se arrebentam no fim da queda. E estes outros (entre os quais estou) guardam sempre consigo uma tímida nostalgia da roda perdida, porque somos todos habitantes de um universo onde todas as coisas giram em círculo.

O LIVRO DO RISO E DO ESQUECIMENTO, Milan Kundera, p. 65

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Livro do Desassossego

Junho 22, 2009 · Deixe um comentário

Uma das minhas preocupações constantes é o compreender como é que outra gente existe, como é que há almas que não sejam a minha, consciências estranhas à minha consciência que, por ser consciência, me parece ser a única. Compreendo bem que o homem que está diante de mim, e me fala com palavras iguais às minhas, e me faz gestos que são como eu faço ou poderia fazer, seja de algum modo meu semelhante. O mesmo, porém não sucede com as gravuras que sonho das ilustrações, com as personagens que vejo dos romances, com as pessoas dramáticas que no palco passam através dos actores que as figuram. Ninguém, suponho, admite verdadeiramente a existência real de outra pessoa. Pode conceder que essa pessoa seja viva, que sinta e pense como ele; mas haverá sempre um elemento anónimo de diferença, uma desvantagem materializada. Há figuras de tempos idos, imagens espíritos em livros, que são para nós realidades maiores que aquelas indiferências encarnadas que falam connosco por cima dos balcões, ou nos olham por acaso nos eléctricos, ou nos roçam, transeuntes, no acaso morto das ruas. Os outros não são para nós mais que paisagem, e, quase sempre, paisagem invisível de rua conhecida. Tenho por mais minhas, com maior parentesco e intimidade, certas figuras que estão escritas em livros, certas imagens que conheci de estampas, do que muitas pessoas, a que chamam reais, que são dessa inutilidade metafísica chamada carne e osso. E «carne e osso», de facto, as descrever bem: parecem coisas cortadas postas no exterior marmóreo de um talho, mortes sangrando como vidas, pernas e costelas do Destino. Não me envergonho de sentir assim porque já vi que todos sentem assim. O que parece de desprezo entre homem e homem, de indiferente que nos permite que se mate gente sem que se sinta que se mata, como entre os assassínos, ou sem que se pense que se está matando, como entre os soldados, é que nigúém presta a devida atenção ao facto, parece abstruso, de que os outros são almas também. Em certos dias, em certas horas, trazidas até mim por não sei que brisa, abertas a mim por o abrir de não sei que porta, sinto de repente que o merceeiro da esquina é um ente espiritual, que o marçano, que neste momento se debruça à porta sobre o saco de batatas, é, verdadeiramente, uma alma capaz de sofrer. Quando ontem me disseram que o empregado da tabacaria se tinha suicidado, tive uma impressão de mentira. Coitado, também existia! Tínhamos esquecido isso, nós todos, nós todos que o conhecíamos do mesmmo modo que todos que o não conheceram. Amanhã esquecê-lo-emos melhor. Mas que havia alma, havia, para que se matasse. Paixões? Angústias? Sem dúvida…Mas a mim, como à humanidade inteira, há só memória de um sorriso parvo por cima de um casaco de mescla, sujo, e desigual nos ombros. É quanto me resta, a mim, de quem tanto sentiu que se matou de sentir, porquem enfim, de outra coisa se não deve matar alguém…Pensei uma vez, ao comprar-lhe cigarros, que encalveria cedo. Afinal não teve tempo para encalvecer. É uma das memórias que me restam dele. Que outra coisa me haveria de restar se esta, afinal, não é dele mas de um pensamento meu? Tenho subitamente a visão do cadáver, do caixão em que o meteram, da cova, inteiramente alheia, a que o haviam de ter levado. E vejo, de repente, que o caixeiro da tabacaria era, em certo modo, casaco torto e tudo, a humanidade inteira. Foi só um momento. Hoje, agora, claramente, como homem que sou, ele morreu. Mais nada. Sim, os outros não existem…É para mim que este poente estagna, pesadamente alado, as suas cores novoentas e duras. Para mim, sob o poente, treme, sem que eu veja que corre, o grande rio. Foi feito para mim este largo aberto para o rio cuja maré chega. Foi enterrado hoje na vala comum o caixeiro da tabacaria? Não é para ele o poente de hoje. Mas, de o pensar, e sem que eu queira, também deixou de ser para mim.

LIVRO DO DESASSOSSEGO, Bernardo Soares, p. 317

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A Vida Assim Nos Afeiçoa

Junho 22, 2009 · Deixe um comentário

E a vida vai tecendo laços
Quase impossíveis de romper:
Tudo o que amamos são pedaços
Vivos do nosso próprio ser.

A VIDA ASSIM NOS AFEIÇOA, Manuel Bandeira

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Quinto Motivo da Rosa

Junho 21, 2009 · Deixe um comentário

Antes do teu olhar, não era,
nem será depois, – primavera.
Pois vivemos do que perdura,

não do que fomos. Desse acaso
do que foi visto e amado:- o prazo
do Criador na criatura…

Não sou eu, mas sim o perfume
que em ti me conserva e resume
o resto, que as horas consomem.

Mas não chores, que no meu dia,
há mais sonho e sabedoria
que nos vagos séculos do homem.

QUINTO MOTIVO DA ROSA, Cecília Meireles

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Dionísio (de Ariadne)

Junho 21, 2009 · Deixe um comentário

Porque tu sabes que é de poesia
Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira poeta.
E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,
É que move o grande corpo teu

Ainda que tu me vejas extrema e suplicante
Quando amanhece e me dizes adeus.

DIONÍSIO (DE ARIADNE), Hilda Hist

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A História Sem Fim

Junho 21, 2009 · Deixe um comentário

Havia no mundo milhares de formas de alegria, mas no fundo todas elas se resumiam a uma única: a alegria de poder amar. Tudo se resumia a isto.

A HISTÓRIA SEM FIM, Michael Ende

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